quinta-feira

sem delongas existenciais

Apresentações e justificativas jamais poderão explicar as razões desse blog. Nenhum objetivo específico, tampouco a relevância dos temas, poderia sancionar alguma sedução à leitura. São dessas razões desconhecidas que vêm do coração. Coração de um pobre, irrequieto e tempestuoso psicólogo professor, em busca de alguma culatra em que se lhe escapem alguns sintomas.

Aqui pretendemos tratar de tudo. Essa ciência transviada, meio vira-lata, meio auto-estima duvidosa. Serviçal de vários amos. A quem se recorre em momentos de desespero e irremediável fossa, mas sem lhe render louros em devido valor no miudinho cotidiano. Afinal, já se disse, ela é a mãe de todas as ciências. E, como aquela outra, vive a padecer. O certo é que tem andado cabisbaixa, a psicologia, enrabichada desde sempre com alguma ciência; dura, e tendo que fazer as vezes de prima pobre. Tanto mais quando assentada nos latifúndios da Saúde. Mãos dadas com o desencantamento dos mistérios sentimentais, às vezes há quem a confunda com uma espécie de ressonância magnética do espírito. Em poucos dias, diagnóstico, receita e final feliz. Fitness mind.

A psicologia, queremo-la nas veredas das humanidades. Uma ciência de boteco, queria dizer, de botica. Sapiência e sabedoria quanto aos males e as dores do mundo - dos mundanos e dos cotovelos. Exímia observadora dos costumes, dos malogros e sucessos humanos. Cúmplice da corda bamba, do bêbado e da equilibrista. Fiel depositária da fé na vida, bandida ou loka. Recurso último quando tudo pareceu ruir o sentido. A oitava arte, ou a arte da vida noves fora zero. A primeira e única capaz de arrebatar qualquer gentio do bueiro da realidade, modo da volta por cima.

Aqui vamos tratar de tudo, e usar de psicologia ali, no box da feira, ou no tabuleiro da baiana, ou no churrasquinho da esquina. No lusco-fusco da casa de oração (ou de massagem), no boteco machista, no terreiro do banho de folha. Na conversa de cozinha, na letra do arrocha, no rabisco no muro, no recado do samba-canção. Na bossa da filosofia, no escurinho do cinema, na dança da solidão. Em tudo enquanto, a psicologia, essa gentia, essa santa sapiência ancestral de todo dia, nossa mais valia.

Axé!

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